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Ultrassom com Doppler colorido venoso

O exame que define todo o tratamento das varizes

O ultrassom Doppler venoso é o exame fundamental da flebologia. Sem ele, nenhum tratamento de varizes deve ser indicado. É ele que mostra, em tempo real, o funcionamento das veias por dentro: quais estão doentes, onde há refluxo sanguíneo, se existe uma trombose antiga oculta e qual a melhor estratégia de tratamento para cada paciente. Na nossa clínica, o exame é realizado pessoalmente pela Dra. Juliana Puggina — e não por outro profissional — porque a análise dinâmica das veias exige conhecimento cirúrgico para guiar o tratamento. O exame dura cerca de 30 a 45 minutos, não usa radiação, não requer jejum e não causa dor.

O que é o ultrassom Doppler venoso?

 

O ultrassom Doppler venoso é um exame de imagem que usa ondas sonoras (as mesmas do ultrassom comum) combinadas a uma tecnologia extra — o efeito Doppler — capaz de medir a velocidade e o sentido do fluxo de sangue dentro das veias.

Enquanto o ultrassom comum mostra apenas a forma das estruturas (um vaso, um órgão, um feto), o Doppler mostra o sangue em movimento. Permite ver, em tempo real, se o sangue está subindo em direção ao coração (fluxo normal) ou voltando para os pés (refluxo — a causa das varizes). É esse refluxo que o exame identifica, localiza e mede com precisão milimétrica.

O exame é indolor, não usa radiação (diferente da tomografia ou da flebografia) e não requer contraste endovenoso. A única coisa que a paciente sente é o gel morno na pele e a pressão suave do transdutor.

Dra Juliana Puggina referência nacional em tratamento de varizes realizando um exame de ultrassom Doppler para planejamento do tratamento

Por que o Doppler é indispensável antes de qualquer tratamento? 

A grande maioria das varizes que incomodam esteticamente na superfície da pele é apenas a ponta do iceberg. As varizes visíveis costumam ser consequência de uma insuficiência em veias mais profundas, que não aparecem ao exame físico — como a safena magna, a safena parva, veias perfurantes e tributárias. Tratar apenas o que se vê, sem investigar o que está por trás, é o erro mais comum e a principal causa de recidiva precoce.

O ultrassom Doppler responde às perguntas que definem o tratamento:

  • Existe refluxo? Em quais veias? Sem refluxo comprovado, não há indicação para fechar veias importantes como a safena.

  • Qual é o calibre da veia insuficiente? Define se o tratamento correto é laser endovenoso, escleroterapia com espuma ou cirurgia.

  • Existe alguma trombose — atual ou antiga? Veias previamente trombosadas mudam completamente a estratégia e podem contraindicar certos procedimentos.

  • As veias profundas estão íntegras? O sistema venoso profundo precisa estar funcionante antes de tratar o superficial.

  • Onde estão os pontos de fuga? O tratamento eficaz começa pelo ponto mais alto de refluxo.

Sem essas respostas, qualquer tratamento é feito às cegas. Por isso, o Doppler não é um exame opcional ou complementar: é a base do diagnóstico. Toda sociedade médica vascular internacional (Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, European Society for Vascular Surgery) recomenda o mapeamento com Doppler como etapa obrigatória antes de qualquer intervenção.

Para que o Doppler também é indicado após o tratamento?

O papel do Doppler não termina na indicação do tratamento. Ele é igualmente essencial no acompanhamento:

  • 3 a 4 semanas após escleroterapia com espuma ou laser endovenoso: confirma que a veia tratada está efetivamente ocluída, rastreia trombose venosa profunda (rara, mas possível) e identifica veias tributárias que possam precisar de nova sessão.

  • Após cirurgia de varizes: confirma a retirada completa das veias doentes, descarta complicações, incluindo a trombose venosa profunda .

  • No seguimento de longo prazo: monitora o aparecimento de novas insuficiências ao longo dos anos, permitindo intervenção precoce antes que as varizes se tornem sintomáticas.

A insuficiência venosa é uma doença crônica, com forte componente genético. Ela não tem cura definitiva. O Doppler periódico permite tratar cada pequena recidiva no momento certo, evitando que a doença evolua em efeito "bola de neve".

O que é avaliado no exame?

Durante o mapeamento vascular, a cirurgiã avalia sistematicamente:

  • Sistema venoso profundo (veias femoral, poplítea, tibiais): verifica se há trombose aguda ou crônica e se as válvulas estão funcionando.

  • Junção safeno-femoral e safeno-poplítea: pontos críticos onde as safenas se ligam às veias profundas e onde costuma começar o refluxo.

  • Veia safena magna (da virilha ao tornozelo pela face interna da perna): mede o diâmetro, avalia o refluxo em cada segmento e identifica o ponto inicial e final do tratamento.

  • Veia safena parva (na região posterior da panturrilha): avaliação equivalente à safena magna.

  • Veias perfurantes: pequenas veias que conectam o sistema superficial ao profundo. Quando insuficientes, são responsáveis por úlceras e recidivas.

  • Veias tributárias e varizes visíveis: cada variz superficial é rastreada até sua origem, para que o tratamento atinja a causa e não apenas o efeito.

  • Manobras dinâmicas: o refluxo só aparece com a paciente em pé, durante manobras específicas (Valsalva, compressão/descompressão da panturrilha). Por isso o exame é feito em múltiplas posições.

Como é feito o exame: passo a passo?

1.  Posicionamento: o exame começa com a paciente em pé. A posição em pé é obrigatória porque o refluxo só se manifesta plenamente com a gravidade atuando na coluna de sangue. Depois, partes específicas do exame podem ser complementadas com a paciente deitada.

2.  Aplicação do gel: um gel condutor é aplicado na pele. Ele permite que as ondas sonoras do transdutor atravessem sem bolhas de ar.

3.  Mapeamento do sistema profundo: primeiro, a cirurgiã verifica as veias profundas para descartar trombose e avaliar a competência das válvulas profundas.

4.  Avaliação das safenas magna e parva: segmento por segmento, mede-se o diâmetro e testa-se o refluxo com manobras específicas. Cada ponto de refluxo é marcado e anotado.

5.  Rastreamento das tributárias e perfurantes: as veias visíveis na superfície são seguidas com o transdutor até sua origem, identificando as conexões com o sistema profundo.

6.  Registro e documentação: todas as medidas e achados são registrados em relatório detalhado. O mapa das veias insuficientes é desenhado para servir de guia no tratamento.

7.  Discussão do plano de tratamento: ao final do exame, a paciente recebe a explicação visual do que foi encontrado e das opções terapêuticas indicadas para o seu caso.

Por que o exame deve ser feito pela própria cirurgiã vascular ? 

 

Existe uma diferença prática enorme entre o Doppler feito em um laboratório e o Doppler feito pela cirurgiã que vai planejar — e realizar — o tratamento.

O ultrassom Doppler venoso não é um exame estático. Ele depende de decisões em tempo real: onde pressionar, em que posição examinar, que manobra solicitar, qual trajeto seguir com o transdutor. Essas decisões só fazem sentido quando quem examina sabe exatamente o que cada achado muda na conduta cirúrgica.

Um técnico bem treinado consegue identificar refluxo e medir diâmetros. Mas somente a cirurgiã vascular consegue, durante o próprio exame, perceber uma tributária atípica que mudará a estratégia, antecipar uma dificuldade técnica do tratamento, ou identificar uma particularidade anatômica que contraindica determinado procedimento.

Por isso, na nossa clínica, o ultrassom Doppler venoso é realizado pessoalmente pela Dra. Juliana Puggina, em equipamento dedicado de alta resolução no próprio consultório. O exame deixa de ser um laudo recebido de fora e passa a ser uma extensão direta do raciocínio cirúrgico — o que reduz drasticamente a chance de tratamento incompleto ou recidiva precoce.

Vantagens do ultrassom Doppler

  • Sem radiação: usa apenas ondas sonoras, podendo ser repetido quantas vezes necessário, inclusive na gestação.

  • Sem contraste endovenoso: não requer punção nem uso de substâncias injetáveis.

  • Sem jejum: a paciente pode comer, beber e tomar medicações normalmente.

  • Indolor: a única sensação é o gel frio e a pressão suave do transdutor.

  • Em tempo real: permite avaliar a dinâmica do fluxo sanguíneo durante o próprio exame.

  • Repetível: pode ser refeito sem acúmulo de dose ou risco.​

Quando o Doppler venoso está indicado?

  • Antes de qualquer tratamento de varizes (escleroterapia, laser, cirurgia).

  • Dor, peso ou cansaço nas pernas sem causa aparente.

  • Inchaço recente, especialmente unilateral (suspeita de trombose).

  • Manchas escuras, eczema ou feridas na região do tornozelo.

  • Varizes aparentes, mesmo pequenas, com histórico familiar.

  • Gestantes com sintomas venosos ou varizes prévias.

  • Pós-operatório de varizes (retorno obrigatório em 3 a 4 semanas).

  • Controle periódico em pacientes com história de trombose ou insuficiência venosa conhecida.

  • Antes de longas viagens aéreas em pacientes com varizes extensas ou histórico de trombose.

​O ultrassom Doppler é o mesmo do pré-natal?

A tecnologia é a mesma: ondas sonoras e efeito Doppler. O que muda é o transdutor (probe específica para veias), a técnica de exame (mapeamento com manobras em pé) e a interpretação (foco no refluxo e na anatomia venosa). O equipamento usado é configurado especificamente para avaliação vascular.

Posso fazer o Doppler em outro lugar e trazer o laudo?

 

Sim, é possível. Mas a recomendação é realizar o exame com a própria cirurgiã que vai planejar o tratamento, pelo motivo já explicado: o Doppler venoso não é estático. Laudos externos, quando aceitáveis, são sempre revistos clinicamente. Em muitos casos, particularmente em pré-operatório, o exame precisa ser refeito para garantir precisão cirúrgica.

Doppler arterial e Doppler venoso são a mesma coisa?

 

Não. O Doppler arterial avalia o fluxo nas artérias (indicado em casos de claudicação, feridas que não cicatrizam, suspeita de obstrução arterial). O Doppler venoso avalia o fluxo nas veias (indicado em varizes, trombose, inchaço e insuficiência venosa). São exames com foco, técnica e interpretação diferentes. Ambos usam a mesma tecnologia de ondas sonoras.

O exame dói?

 

Não. O único contato é o transdutor deslizando sobre a pele com gel condutor. Em alguns momentos a cirurgiã faz compressão firme para testar o fluxo, o que pode causar leve desconforto pontual, mas nunca dor.

O Doppler detecta trombose?

 

Sim, com alta precisão. O ultrassom Doppler venoso é o exame de primeira escolha para diagnosticar trombose venosa profunda (TVP) e tromboflebite superficial. Tem sensibilidade e especificidade acima de 95% para TVP proximal, razão pela qual substituiu a flebografia com contraste na grande maioria dos casos.

Posso fazer Doppler na gravidez?

 

Sim. O exame é completamente seguro em qualquer fase da gestação. Não usa radiação nem contraste. É o exame de escolha para avaliar varizes, inchaço unilateral ou suspeita de trombose em gestantes.

Sobre a autora

 

Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular. 

 

Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Doutorado em Ciências (Ph.D.) pela Universidade de São Paulo (USP).

 

Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e da American Vein & Lymphatic Society.

 

Membro do corpo clínico dos principais hospitais de São Paulo como Hospital Albert Einstein, Hospital Sírio Libanês e Hospital Vila Nova Star.

Palestrante em centenas de congressos e eventos nacionais e internacionais

Diretora Científica do Instituto Circular que forma médicos cirurgiões vasculares do mundo todo, que buscam excelência no tratamento das veias. 

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